Um funcionário do armazém é visto como um possível traidor.

Investigação sobre suspeitas e especulações

  • Imprimir

Nunca ficou esclarecido se as pessoas que estavam escondidas foram traídas, e por quem. Terá algum dos trabalhadores do armazém ouvido alguma coisa? Terá alguém suspeitado que uma grande quantidade de coisas tenha sido trazida e entregue? Terão os vizinhos notado que havia gente escondida no edifício? Ou a verdade era outra muito diferente?

 

Anne escreve:

"Não nos importaríamos com o que Mr. van Maaren pensa da situação, não fosse o facto de sabermos que ele não é de confiança e possui uma grande curiosidade. Não é tipo de pessoa que se consegue enganar com uma desculpa qualquer."

Empregados do armazém

Os quatro ajudantes e os funcionários do escritório da Opekta eram plenamente conscientes da situação, mas se tinha dito aos trabalhadores do armazém no rés-do-chão. Eles eram uma constante fonte de preocupação para aqueles que estavam escondidos. Poderiam eles dar conta de alguma coisa? Seriam confiáveis? Aqueles que estavam escondidos preocupavam-se e suspeitavam especialmente de um dos trabalhadores do armazém: Willem van Maaren. Ele parecia ser um homem muito inquisitivo. Ele suspeitava que à noite ia gente ao armazém. Ninguém confiava em Van Maaren. Eles também desconfiavam que ele roubava mercadoria da empresa.

 

bio_vanmaaren.jpgEle coloca livros e pedaços de papel nas extremidades dos objetos no armazém, para que se alguém passasse porali estes cairiam para o chão. Kleiman, que tem andado por aqui, Kugler e os dois homens têm pensado em todas as maneiras possíveis de como tirar este colega dali.

Lá em baixo eles acham que é muito arriscado. Mas não será ainda mais arriscado deixar as coisas como estão?

Anne Frank, 25 de abril de 1944

Um homem inquisitivo

Em 1948 as suspeições foram finalmente investigadas pela Politieke Recherche Afdeling (PRA, ou Departamento de Investigação Política) da polícia de Amesterdão. A polícia interrogou os ajudantes Miep Gies, Johannes Kleiman e Victor Kugler, bem como Willem van Maaren e Lammert Hartog, outro funcionário do armazém. Hartog declarou que duas semanas antes da rusga, foi-lhe dito que havia judeus escondidos no edifício. Olhando para trás, pode-se dizer que esta investigação foi um fracasso. Muitas questões não foram colocadas, e toda a investigação foi bastante superficial. A investigação foi encerrada pois nenhuma prova conclusiva foi efetivamente encontrada.

Nova investigação em 1963

A partir da década dos 50 do século XX o Diário de Anne Frank tornou-se mundialmente famoso. Foram realizadas peças de teatro e filmes. O facto de o traidor nunca ter sido encontrado foi sempre entendido como um final pouco satisfatório.

Em 1963 Karl Silberbauer foi encontrado pelo caçador de Nazis Simon Wiesenthal. Silberbauer foi o oficial das SS responsável pela detenção. Ele trabalhava agora como agente da polícia em Viena, Áustria.

 

Estes novos factos deram impulso a uma nova investigação sobre a possível traição, e que resultou mais minuciosa do que a que decorreu em 1948. Novas testemunhas foram interrogadas, mas muitas das testemunhas-chave tinham já falecido. Kleiman faleceu em 1959, assim como Hartog, o funcionário do armazém, e a sua mulher. Uma vez mais a investigação voltou a focar-se em Willem van Maaren.

Silberbauer foi suspenso das suas funções policiais durante a investigação, mas uma vez que ele estava apenas “a seguir ordens” e agiu “correctamente” durante a detenção, foi recolocado novamente no seu posto. Ele disse que quase se tinha esquecido da detenção se não fosse o facto de Anne Frank e o seu diário se terem tornado tão conhecidos. Ele ainda se lembrava de muitos pormenores da detenção, mas não de quem tinha sido o traidor. O seu comandante, Julius Dettman, que foi quem atendeu o telefonema dizendo que havia pessoas judias escondidas, suicidou-se pouco tempo depois do fim da guerra e por isso nunca foi foi possível ser interrogado. Karl Silberbauer faleceu em 1972.

SS-onderofficier Karl Josef Silberbauer
Silberbauer Karl Josef Silberbauer supervisiona a detenção dos habitantes do Anexo Secreto.

Provas inexistentes contra Van Maaren

Muitas mais coisas vieram ao de cima acerca de Van Maaren durante a investigação policial, incluindo o facto de ele ter efetivamente praticado os furtos de que era suspeito, mas não havia ainda provas que sustentassem as suspeitas de traição. Em 1964 a investigação foi encerrada sem nenhum resultado concreto. Willem van Maaren faleceu em 1971.

Investigação sobre suspeitas e especulações Um funcionário do armazém é visto como um possível traidor

Nunca ficou esclarecido se as pessoas que estavam escondidas foram traídas, e por quem...

Mais...

A primeira investigação. Em 1948 é feita uma investigação mas não é muito minuciosa

Posteriormente à guerra, Kleiman e os outros ajudantes são constantemente confrontados com a questão de quem foi o traidor...

Mais...
Van Maaren

Nova investigação O antigo gerente do armazém, Van Maaren, é novamente suspeito

A nova investigação foi impulsionada pela perseguição de Karl Silberbauer, o sargento da SS que levou a cabo as detenções...

Mais...
Boek van Melissa Mueller

Outros suspeitos Há várias teorias acerca da identidade do traidor

Em 1998, Melissa Müller, na sua obra sobre a biografia de Anne Frank, sugeriu que uma mulher chamada Lena Hartog-Van Bladeren…

Mais...
Verrader

Investigação do NIOD Nenhuma das hipóteses podem ser provadas.

Em 2003 o Instituto Holandês para a Documentação de Guerra (NIOD), investigou teorias relativas a Lena Hartog-Van Bladeren e…

Mais...